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Sedução comum (só, sempre só)

por Rafael

a caixinha de madeira envernizada
guardada na segunda gaveta do
criado ao lado direito da cama
contém pilares pra realidade
silenciosamente frágil
e desesperada

dia
após
dia:

alguns comprimidos de Viagra
outros gramas de Cocaína.

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no centro do palco

por Rafael.

o tempo não hesita
em nos tornar

coadjuvantes

de nossos
próprios

de
fei
tos.

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sonhava ser poeta

por Rafael.

sempre sonhei
que para
ser poeta
era só rimar
ou dar enter
quebrando tudo
ou uma frase
em várias coisas.

no fundo
era.

para poesia
basta poesia.

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O triunfo da falta de vontade

Espere outra hora pra fazer.

Espere alguma coisa boa acontecer.

O dia virar noite, a noite virar dia

com o sol que invade o céu,

 

até o que não devia.

 

Espere a festa acabar.

Espere o dono fechar a porta do bar.

Espere a pedra rolar a montanha

e traga ela de volta pro mesmo lugar.

 

Espere no consultório.

Espere no escritório.

Espere alguém limpar sua mesa,

seu chão, sua parede, sua vida, que seja.

 

Espere outro beijo de lábios frios,

e depois por outros anos vazios.

Espere o que não poderá entender.

Espere outra vida pra dizer.

 

Espere todo mundo ir embora.

Espere uma hora boa (não é agora).

Espere o sinal que vem das nuvens.

Espere o começo da chuva.

 

Marco Antonio Santos

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Na ilha de uma revista famosa

O que você diz não vale atenção. “Eu, eu, eu, eu, eu”,: os pés pelas mãos.

Meu tempo não volta. Acho que o seu também não. Então não vai adiantar. Nunca adiantou.

O que você diz é menos que o que faz. Como sempre é. E que não seja mais.

O vento só fala do que nunca vou entender. Mas é assim que é. E como vai ser?

Marco Antonio Santos

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deprediação

Do piá aqui dentro
um só lamento
trocaram o parquinho
pelo estacionamento.

Murilo.

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Tentei vadiar,

mas o café estava envenenado
com vontade de trabalhar.

Murilo.

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Essa história de se encontrar

escrito por Murilo

Quatro da tarde. É o horário que o sol bate na janelinha e  me cega enquanto trabalho, como que para mostrar sua imponência perante a luz fraca do monitor. Ultimamente o sol muito tem dado  as caras. Há muitos dias não se vê chuva em Curitiba e, quando chove, eu mal percebo, pois ando de carro.
Mas o que é isso? Eu estou mesmo falando sobre o tempo? Que babaca.

Dias bonitos. Esquisitos.

Saí para fumar um cigarro. Havia comprado um maço ontem e ainda restavam alguns. Estranho, maços não costumavam durar tanto. Na volta peguei um café, mais por prazer do que por necessidade.

Alguma coisa aconteceu aqui dentro. Alguma coisa muito séria.

Soube que um amigo meu vai se casar. O curioso é que não me senti tão contrariado com o fato. Coloquei meu fone. Não consegui identificar o que tocava, dentre os tantos gigabytes daquela pasta de músicas. Era um som alegre e bunda-mole. Devia falar de amor.

Até eu, Brutus? Eu que caminhava com volume alto e cabeça baixa, ouvindo bandas brutais a machucar os meus ouvidos. Eu que andava sob a garoa fina e o vento frio, emputecido, segurando cada lágrima para que se transformasse em veneno. Eu que achava que paixão era amor.

Risadas, risadas. Alegria, alegria. Estranhos esses dias, certos demais.

O sol já desceu por completo. Convidam-me para um happy hour. O boteco não parece mais tão atraente como antigamente, mas aceito. Não bebo muito e ninguém ali o faz. Ao pagar, eu que já contei moedas, mal confiro a conta antes de passar o cartão. Estou confuso.

Eu que chegava em casa embriagado e escrevia cartas que nunca seriam entregues a suas destinatárias. Garranchos carregados de desabafos e confissões, muitas vezes indecifráveis no dia seguinte.
Hoje, sóbrio, mando um SMS de boa noite a uma só mulher, sabendo que ela responderá um adorável  bom dia pela manhã.

Antes de dormir, algo me vem à cabeça. Abro o moleskine empoeirado e da caneta sai um haicai torto, quase do avesso.

Sensação boa, mas terrível,
essa de se encontrar,
se habituado a estar perdido.

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